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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

MUDANÇA DE PLANOS

Depois de uma longa reunião e de um amplo debate de idéias, decidimos alterar nossa rota de ação: vamos interromper o processo de ensaios e aguardar a resposta do Prêmio Carlos Carvalho - Auxílio montagem.
Chegamos a conclusão que não há como fazer a peça sem dinheiro nenhum. Achamos que seria "queimar' o espetáculo realiza-lo sem o mínimo de condições financeiras, pois o resultado sempre fica comprometido por melhores que sejam as intenções e/ou as idéias.
A proposta de encenar este texto foi aventada antes da divulgação do referido edital da SMC. Com a possibilidade de concorrer a este prêmio de 20.000 reais, a expectativa de todos em relação ao resultado cresceu, modificou-se. Foi a partir disso que pensamos em chamar uma diretora, a partir disso repensamos a cenografia, o figurino e até mesmo o propósito a ser atingido com a encenação de Um Verdadeiro Cowboy.
Portanto, estamos de férias. Voltaremos ao trabalho após a divulgação do resultado do Prêmio, caso, é claro, nosso projeto seja o escolhido pela comissão.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

COM A PALAVRA: JÚLIO CONTE

Porto Alegre, 03 de agosto de 2007

Temos vivido no teatro brasileiro e internacional uma celeuma relacionada à emoção. A forma toma um lugar dominante e autoritário a tal ponto que quase não sobra espaço para o humano nem para os afetos. Um temor pelo excesso e descambo em direção ao melodramático ou ao piegas provoca um efeito contrário e retroativo em direção ao escárnio, ao sarcasmo, ao niilismo e a banalização dos afetos. (...) Difícil sustentar um teatro que nega o mais que humano em nós. A emoção é uma arma poderosa para a compreensão dos eventos e dos fatos da vida. (...) Por isso, é mais do que saudável contar com um texto como Um Verdadeiro Cowboy entre os premiados do VI Concurso Nacional de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho.
(...) Impossível passar incólume. Valeu a pena ter sido jurado para conhecer Um Verdadeiro Cowboy.

Este depoimento de Júlio Conte, bem como o texto da peça, pode ser lido na íntegra no livro VI Concurso Nacional de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, volume 1, editado pela Secretaria Municipal da Cultura em 2008. Júlio Conte é psicanalista, diretor de teatro e dramaturgo, e integrou a comissão julgadora do referido concurso.

MARÍLIA POR ELA MESMA

(...) Contudo, vim mesmo a nascer em São Paulo, em 3 de abril de 1974.
Em virtude do trabalho do meu pai, foram muitos os anos de minha vida que passei perambulando entre São Paulo, Corumbá, Salvador. Iraque, México, Guatemala, e Espanha, mu dando constantemente de residência. (...) Acostumada que estava àquela vida errática, não foi surpresa haver me dedicado a uma profissão também errante e instável como a do teatro. Essa paixão pelo palco nasceu quando ainda criança, cultivada amiúde ao longo de muitas e muitas vezes que meus pais me levaram para ver espetáculos infantis.
(...) Anos depois vim a estudar Arte Dramática em Sevilha e, posteriormente, Direção Cênica e Dramaturgia em Barcelona, onde moro desde o ano 2000. Tenho trabalhado em quase todas as áreas do teatro: atriz, diretora, contra-regra, chefe de palco (stage manager), road manager, além de professora de teatro e dramaturga. Dessa forma, creio haver passado mais horas de minha vida no útero envolvente das salas de espetáculo que em qualquer outro lugar. Porém, o interesse pela dramaturgia em si surgiu ao trabalhar como atriz em uma versão de Otelo - em uma montagem que esteve em cartaz durante dois anos e que circulou por toda Espanha e mais alguns outros países europeus. Nesse período, ao buscar algo com que me distrair, comecei a escrever. Assim nasceo 405, meu primeiro texto teatral. (...) Depois foi a vez de Menu do Dia... (...) Mensagem, Sob o Céu de York, Fosc (Escuridão), Uma Coisa Selvagem, são outros de meus textos. (...) Um Verdadeiro Cowboy é o meu texto mais querido e, que haja sido premiado na minha terra é profundamente emocionante e significativo para mim. Meu desejo agora é de que minhas histórias cativem o publico brasileiro da mesma maneira que têm cativado ao público espanhol. (Barcelona, Espanha, 6 de janeiro de 2008)

O texto integral deste depoimento de Marília Samper, bem como o texto da peça, pode ser lido no livro VI Concurso Nacional de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, volume 1, editado pela Secretaria Municipal da Cultura em 2008. O livro reúne as peças premiadas em primeiro, segundo e terceiro lugar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

NOVO PROJETO: UM VERDADEIRO COWBOY


Desde que faço teatro me deparo com uma mesma questão: que peça encenar? Que peça nos anima a alma que faça esquecer todos os projetos passados e arregaçar as mangas para começar tudo outra vez acreditando que desta vez será diferente?
Quando li pela primeira vez, há dois anos atrás, a peça Um Verdadeiro Cowboy, de Marília Samper, percebi que tinha nas mãos uma grande história, um drama em estilo clássico, maravilhosamente bem escrito e composto. Pensei: aí está uma peça boa de montar. Na ocasião, achei que o público também iria gostar de assistir uma peça que o emocionasse como esta. A peça ficou classificada em segundo lugar no VI Concurso Nacional de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho.
Esta idéia ficou na minha cabeça durante este tempo todo. No ano passado reli o texto e decidi, não só encenar a peça, como também "fazer" um dos personagens, o Velho. Convidei minha parceira Elisa Heidrich para encarnar a Filha. Faltava apenas o Cowboy, alguém para encarnar o mito John Wayne. Depois de pensar em muitos nomes, dei o texto para o Marcelo Johann. Ele leu e adorou. Topou na hora.
A idéia era começar a ensaiar no segundo semestre, mas não deu. Somente no dia 18 de novembro é que fizemos a primeira reunião. E aí, com um começo acertado começaram os ensaios de um novo projeto do Depósito de Teatro.